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Projeto Sócio Torcedor

A visão do Projeto Sócio Torcedor:

O Clube dos 13 divulgou um material bastante interessante: levantamento feito pela entidade mostrou que o número de sócios-torcedores dos grandes clubes brasileiros ultrapassou a marca de 380.000. Os também chamados “pacotes de fidelização” permitem aos seus detentores a compra de ingressos em locais e preços especiais, com algumas facilidades extras, além de brindes e revistas específicas, em alguns clubes. Esses programas nasceram no final do século XX, há pouco mais de dez anos, e tiveram um novo e forte impulso nos últimos dois a três anos.

O caso de maior sucesso, como já é do conhecimento de todos ligados ao mundo da bola, é o programa do Internacional, que recém-ultrapassou a marca de 100.000 sócios – hoje são 100.700 – e cumpre uma importante meta da programação do centenário do clube. No início do ano o programa contava com 60.000 participantes e em apenas seis meses conseguiu atingir o número mágico de 100.000. No material divulgado pelo C13 há uma declaração do Jorge Avancini, vice-presidente de marketing colorado:

“A implantação do projeto de sócio-torcedor foi paulatina a partir de 2003, quando começamos a trabalhar o lado emocional do torcedor destacando a importância em se associar ao clube. Fizemos tudo isso ancorado em forte campanha de mídia via veículos convencionais, trabalho boca a boca, fidelização da carteira de forma intensa e premiação aos sócios com vantagens e benefícios que o torcedor comum não tem acesso.” Avancini também ressalta a importância desse programa para o clube, que garante uma boa fonte de renda todo mês e possibilita, também, trabalhar no planejamento a longo prazo.

Outros clubes com fortes programas são o Grêmio, Corinthians e São Paulo, caminho que parece será trilhado pelo Cruzeiro, que com apenas um mês e meio de programa já atingiu 18.000 associados.

Embora não citado no material de divulgação do C13, o Flamengo lançou seu novo programa de sócios-torcedores, com duas modalidades, uma das quais dá ao detentor direito a voto no clube.

Com base nos números atuais e seu índice de crescimento, e mais a entrada no mercado de outros clubes com programas semelhantes, Fabio Koff, presidente do Clube dos 13 prevê a chegada ao número de meio milhãode sócios-torcedores: “Os programas de sócio-torcedor são modelos consolidados na Europa. Com o lançamento do projeto destes outros clubes no Brasil, não levaremos muito tempo para atingir a marca de meio milhão de sócios. Os números comprovam que os departamentos de marketing já atingiram resultados expressivos. Não tenho dúvidas que estamos no caminho certo”.

O futuro e a democracia ausente

Este Olhar Crônico Esportivo concorda com o que disse Fabio Koff, presidente do Clube dos 13. Os programas de sócio-torcedor, com as diferenças e particularidades inerentes a cada clube, caminham muito bem. Não demora muito e chegaremos em 500.000, já sabendo que o potencial do Brasil para esses programas é enorme.
Uma questão, porém, incomoda-me profundamente: é justo, é correto, é ético, até, os clubes correrem atrás do dinheiro do torcedor e não dar a ele o direito de ter voz e voto nas decisões internas?
A maioria desses programas nada tem de democráticos, acabam sendo apenas arrecadatórios. Se você paga para sustentar um estado, você tem que ter direito a influir em seu destino, tem que ter o sagrado direito do voto. Assim começou a Revolução Americana no distante 1773, em Boston (resumo do resumo e com alguma licença poética; para quem se interessar, vale a pena conhecer a história da Revolução Americana e como os Estados Unidos libertaram-se da Inglaterra; tem muito a ver com os dias de hoje e de sempre). Se você paga para sustentar um clube, deve ter, sim, direito a influir em seu destino e suas decisões.
Duvido muito, porém, que tenhamos alguma revolução por aqui.
Apesar disso, o Corinthians contempla essa possibilidade em seu programa, assim como o Flamengo. No caso do clube da Gávea, entretanto, o direito a voto só tem o sócio-torcedor que paga um grande valor, como se fosse um sócio patrimonial. Como reclamou coberto de razão um rubronegro fanático e leitor deste Olhar Crônico Esportivo, o CRF só tem duas categorias de sócios: uma baratinha que dá direito a nada e outra caríssima que dá até direito a voto, mas é restrita a quem pode gastar um bom dinheiro com isso. A grande massa de torcedores de classe média, portanto, fica fora desse programa.
Tudo isso, porém, cai por terra quando vemos a projeção do Internacional para a eleição de 2010.

E o patrocínio?

Não poderia conversar com o Avancini sem falar do patrocínio. Hoje parece certo que o novo patrocinador será o mesmo Banrisul dos últimos seis anos. Dentro de uma nova realidade, porém, com números mais sadios e adequados à importância que o clube tem no mercado. Ao fim e ao cabo, a relação acaba sendo um pouco de parceria, o que é sempre bom para o clube quando mantida dentro dos limites de competência de cada um. E um banco como parceiro… Bom, nada como ter alguém cacifado para recorrermos numa hora de aperto.
Falamos sobre o mercado e outros patrocínios, e realmente, para um clube localizado fora do grande mercado que é São Paulo, as dificuldades são maiores e os valores são menores. As empresas não enxergam paixão ou mérito esportivo, enxergam números frios de consumo real ou potencial e os profissionais, qualquer que seja o lado da mesa, têm que lidar com essa realidade da melhor maneira possível.

A verdade é que saber que uma massa de dezenas de milhares de meros, digo, “meros” torcedores terá direito a votar para decidir os destinos de seu clube deixou-me de muito bom humor e cheio de boa vontade e esperança.
Afinal, quem sabe isso vira moda por aqui?
É a minha torcida.

Fonte: Olhar Crônico Esportivo.

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